CazéTV não é da Globo: quem está por trás do canal e como ele mira a Copa de 2026

CazéTV não é da Globo: quem está por trás do canal e como ele mira a Copa de 2026
set 6 2025 Beatriz Oliveira

Quem manda na CazéTV e qual é o modelo

Quando aparece uma transmissão que foge do padrão, a pergunta surge: a CazéTV é da Globo? Não. O canal digital que se tornou sinônimo de linguagem popular no esporte é operado pela empresa brasileira LiveMode. Por trás do projeto estão os executivos Sergio Lopes e Edgar Diniz, nomes conhecidos no mercado de mídia esportiva por estruturar negociações de direitos, produção e distribuição digital para diferentes campeonatos.

Casimiro Miguel dá rosto, voz e linguagem ao canal, mas não é o controlador. Ele tem participação minoritária e liderança editorial, algo que ajuda a explicar a identidade do produto: cortes rápidos, narrativas bem-humoradas, interação com o chat e um ritmo pensado para quem assiste no celular. A LiveMode cuida do restante — negociação de direitos, estrutura técnica, vendas publicitárias e operação de bastidores.

O desenho é simples e eficiente: a marca do streamer reduz a barreira com o público jovem, enquanto a operadora profissionaliza a entrega. Esse casamento virou um caso de negócio no Brasil. A partir da Copa de 2022, o canal começou a bater recordes de audiência simultânea no YouTube no país e a atrair patrocinadores de grande porte para um modelo essencialmente gratuito (AVOD), baseado em anúncios, ativações em tela e conteúdo de marca.

Outro ponto que chama atenção é a migração de talentos. Nomes que circularam pela TV aberta e pelo cabo passaram a aparecer nos estúdios digitais da plataforma. Barbara Coelho e Marcelo Adnet, por exemplo, integraram transmissões recentes, como a cobertura do Mundial de Clubes, sinalizando que a disputa não é só por direitos, mas também por carisma, repertório e alcance nas redes.

Direitos de transmissão, disputa com a Globo e próximos passos

Direitos de transmissão, disputa com a Globo e próximos passos

A virada de chave aconteceu em novembro de 2022, quando a CazéTV nasceu de olho na Copa do Mundo do Catar. O retorno foi imediato: picos de audiência e um portfólio de direitos que só cresceu desde então. O canal anunciou que vai transmitir todos os jogos da Copa do Mundo de 2026, um acordo direto com a FIFA que, no papel, supera a cobertura parcial prevista para a TV aberta brasileira na edição dos Estados Unidos, Canadá e México.

A lista de propriedades adquiridas e parcerias passou a incluir torneios relevantes e eventos multiesportivos, dando calendário ao canal ao longo do ano. Entre os conteúdos já exibidos ou anunciados estão:

  • Copa do Mundo da FIFA 2022
  • Copa do Mundo Feminina da FIFA 2023
  • Campeonato Carioca 2023
  • Brasileirão 2023
  • Jogos Pan-Americanos 2023
  • Copa do Mundo Sub-20 da FIFA 2023
  • Jogos Olímpicos de 2024
  • Campeonato Paulista 2024
  • UEFA Europa League e Conference League
  • Euro 2024
  • Campeonato Paulista 2025
  • Mundial de Clubes da FIFA 2025
  • Diferentes ligas europeias de futebol ao longo da temporada

O movimento mexeu com a concorrência. A Globo, líder histórica em esporte na TV aberta, abriu um novo front digital com o GE TV, canal de esportes no YouTube que estreou com Brasil x Chile pelas Eliminatórias de 2026. A estratégia passa por distribuição multiplataforma — YouTube, Globoplay e Samsung TV Plus — e por um elenco de apresentadores que já fala a língua da internet: Fred Bruno, Bruno Formiga, Jorge Iggor, Luana Maluf, Mariana Spinelli, Sofia Miranda, Jordana Araújo e André Balada.

O recado é claro: o jogo não é só quem tem a TV, mas quem domina a atenção no celular e no streaming. Plataformas gratuitas sustentadas por publicidade, narrativas ágeis, câmeras em estúdio, cortes verticais para redes e uma grade elástica, que consegue entrar no ar em cima da hora sem a rigidez da grade linear. É nesse ponto que CazéTV e GE TV começam a disputar centímetro a centímetro a audiência da nova geração de torcedores.

Por que isso importa? Primeiro, pelo dinheiro dos direitos. O futebol e os grandes eventos vivem de contratos longos, e a divisão entre TV aberta, TV paga e digital ficou mais sofisticada — com pacotes por plataforma, sublicenciamentos e entregas específicas para cada tela. Segundo, pela publicidade: marcas buscam alcance massivo e engajamento, e as transmissões com chat, memes e linguagem de comunidade viram uma vitrine poderosa para ações em tempo real.

Há também a questão da medição. Audiência linear é medida por amostra; no digital, a contagem é por usuários reais, pico de simultâneos e tempo assistido. Isso muda negociação de preço, planejamento de mídia e metas de performance. Quando um jogo atinge milhões de simultâneos em streaming, a conversa com o mercado publicitário muda de patamar — e obriga as emissoras tradicionais a adaptarem formatos, modelos de break e presença nas redes.

No meio disso tudo, o papel de Casimiro segue central no desenho da plataforma. Além de narrar, reagir e viralizar, ele dá o tom da conversa com a comunidade, que entrou no hábito de assistir jogo com celular em mão, comentando ao vivo. O conteúdo complementar — bastidores, entrevistas, quadros de humor e cortes rápidos — mantém o canal vivo também fora dos 90 minutos.

A Globo, por sua vez, usa seu arsenal: estrutura de reportagem em todo o país, acesso a centros de treinamento, transmissões multicâmera e a força promocional de sua grade. Com o GE TV, tenta somar o melhor dos dois mundos: credenciais do jornalismo esportivo tradicional com ritmo e estética pensados para a internet.

O que vem pela frente? Mais leilões de direitos com pacotes fatiados entre plataformas; mais talentos circulando entre TV e streaming; e mais formatos híbridos, em que a mesma partida ganha narrativas diferentes para públicos distintos. Para o torcedor, a consequência é clara: mais opções, mais vozes e, muitas vezes, mais telas ligadas ao mesmo tempo. Para o mercado, uma nova lógica de competição que já não se resolve só no controle remoto — agora passa também pelo algoritmo.

10 Comentários

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    Wellington Barbosa

    setembro 7, 2025 AT 15:26
    CazéTV é um fenômeno mesmo. Não é só a linguagem, é o ritmo. Tudo no celular, tudo no flow. A gente assiste o jogo e o chat vira parte da transmissão. Nem precisava de TV aberta pra isso.
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    Olavo Sant'Anna Filho

    setembro 9, 2025 AT 13:07
    Isso tudo é só marketing disfarçado de inovação. O povo tá tão desacostumado com conteúdo de qualidade que acha que falar errado e gritar é 'autêntico'. A Globo tá só dormindo, mas vai acordar e botar essa galera no lugar.
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    Eudes Cardoso

    setembro 9, 2025 AT 21:59
    CazéTV tá fazendo o que a gente sempre quis: futebol sem sermão, sem aquele tom de professor de escola. É o jogo, é o povo, é o humor. E o Casimiro? Ele é o cara que a gente queria que fosse narrador desde os anos 90. Sem frescura, só paixão.
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    paulo rodrigues

    setembro 10, 2025 AT 21:05
    A estrutura de negócios da LiveMode é um case de estudo. Eles unem o poder de um influencer de massa com a infraestrutura de uma produtora profissional. Isso não é acaso, é estratégia. O modelo AVOD com anúncios integrados e ativações em tela é mais eficiente que o tradicional break de 5 minutos. E o fato de terem direitos da UEFA e da FIFA mostra que o mercado reconhece a escala.
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    Rayane Cilene

    setembro 11, 2025 AT 22:30
    Acho que o mais bonito disso tudo é que o futebol tá voltando pra gente. Não pro patrão, não pro dono da emissora, não pro jornalista que fala como se tivesse em uma cerimônia de premiação. Tá pra quem tá no celular, comendo pipoca, com o gato no colo e gritando junto com o Casimiro. ❤️🔥
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    Aléxia Jamille Souza Machado Santos

    setembro 12, 2025 AT 08:36
    GE TV tentando copiar tudo mas sem alma 😭 CazéTV tem o coração, o GE tem o PowerPoint. E o Casimiro? Ele é o que a gente sente quando o gol sai, não o que a gente lê num release. 🤍
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    Gabriel Felipe

    setembro 13, 2025 AT 08:55
    A Globo tá perdendo porque não entende que o público hoje não quer só informação, quer conexão. O chat é parte do jogo agora. Eles ainda pensam em audiência linear, mas a gente tá em simultâneos, em reações, em memes
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    Kaio Fidelis

    setembro 14, 2025 AT 07:21
    É importante frisar que a convergência entre o modelo de distribuição digital, a monetização por AVOD, e a personalização da narrativa por meio de talentos digitais (não apenas jornalistas tradicionais) representa uma disrupção estrutural no ecossistema de mídia esportiva brasileira - especialmente quando consideramos os índices de retenção, o CPM dinâmico e o engagement per capita que superam em 300% os modelos lineares. A transição não é apenas tecnológica, é epistemológica.
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    Thais Cely

    setembro 14, 2025 AT 15:09
    A Globo tá com medo porque o Casimiro tá falando como a gente fala, não como os apresentadores da TV falavam quando a gente era criança... e isso dói. 😭😭😭
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    Caroline Pires de Oliveira

    setembro 16, 2025 AT 10:33
    Aqui vai um dado que ninguém fala: o CazéTV tem 72% de público entre 18 e 34 anos. A Globo tem 65% acima de 45. Não é só estilo, é geração. E aí, quem vai vencer o futuro?

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