Thunderbolts segue no topo no Brasil e puxa o movimento nos cinemas
O novo filme da Marvel estreou no feriado de 1º de maio e não saiu mais do topo. Thunderbolts manteve a liderança da bilheteria brasileira por semanas consecutivas, mesmo com a chegada de novos títulos ao circuito. O desempenho confirma o apelo do universo Marvel por aqui e ajuda a manter o público em cartaz num período competitivo do calendário.
Com orçamento de US$ 180 milhões, o longa abriu forte no Brasil como parte do lançamento global e emendou bom fôlego nos dias seguintes. No fim de semana de estreia, o país foi o quarto maior mercado internacional do filme, somando cerca de US$ 4 milhões, atrás de China (US$ 10,4 milhões), Reino Unido (US$ 7,7 milhões) e México (US$ 7,3 milhões). Nos Estados Unidos, a abertura foi de US$ 76 milhões, sinal de que a franquia ainda consegue mobilizar público em casa e fora.
A permanência no número 1 é o ponto-chave. Em um cenário de estreias semanais, segurar a liderança por mais de um fim de semana pede retenção de público, bons horários e presença em formatos premium. Redes relatam que a combinação de sessões regulares com 3D e salas de tela gigante mantém a ocupação estável, especialmente à noite e nos fins de semana. A queda de público após a estreia foi moderada, sugerindo boca a boca positivo.
O Brasil costuma reagir bem a produções de super-heróis quando há algum diferencial de elenco ou proposta. Aqui, o filme aposta num time de anti-heróis e num tom mais terreno, com trama envolvendo corrupção governamental e ligações com a CIA. É um contraste aos épicos espaciais do MCU e conversa com uma fatia do público que gosta de ação mais direta. A classificação PG-13 e a duração de 126 minutos também ajudam a encaixar mais sessões por dia, o que faz diferença na soma final.
O calendário jogou a favor. O feriado de 1º de maio impulsionou a largada, e a sequência de fins de semana com clima ameno e circuito estável manteve o fluxo. Em capitais como São Paulo, Rio e Belo Horizonte, o filme se manteve em ampla quantidade de salas, e as cidades médias do interior também responderam bem, segundo exibidores. O efeito “combo” (pipoca + bebida) e pacotes familiares cresceu com o filme, sinal de que o público não foi só para ver o título, mas para passar mais tempo no cinema.

Por que o filme segura a liderança — e o que isso diz sobre o MCU
Há três fatores centrais para explicar a resistência do título. Primeiro, marca. Marvel Studios ainda carrega peso de decisão para quem compra ingresso na hora. Mesmo depois de altos e baixos recentes, o selo mantém reconhecimento instantâneo. Segundo, proposta. A ideia de uma equipe “cinza”, com personagens operando entre o certo e o errado, dá gás novo à linha do tempo do MCU. Terceiro, execução. Apesar dos atrasos causados pelas greves de roteiristas e atores em 2023, a produção chegou polida, com ação clara e fotografia voltada para grandes telas.
O contexto do mercado ajuda a ler o número 1. Nos últimos anos, o Brasil viu blockbusters alternarem picos e quedas rápidas. Quando um título segura a ponta por semanas, normalmente há três sinais: taxa de recompras (gente que volta com amigos), ocupação consistente nas sessões noturnas de sábado e domingo, e manutenção de salas premium. Thunderbolts entrega esses três pontos, de acordo com relatos de redes e dados de bilheteria observados no mercado.
No comparativo com a própria Marvel, o resultado fica entre os grandes sucessos e as safras mais contidas. O filme não repete fenômenos como Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, mas supera a desconfiança que pairou após lançamentos mais irregulares do estúdio em 2023. Para os exibidores, esse “meio-termo alto” é valioso: garante público fiel, segura agenda e evita trocas aceleradas de programação.
Outro aspecto é o público-alvo. A faixa de 15 a 34 anos segue maioria, mas há presença de famílias nas sessões da tarde, o que dá elasticidade ao fim de semana. A trilha de marketing mirou redes sociais e influenciadores de cultura pop, com ênfase em cenas de ação e no humor ácido do grupo. A estratégia manteve o filme em pauta além da estreia, o que é raro quando há uma sequência forte de lançamentos concorrentes.
No caixa global, o bom desempenho no Brasil conta. Além da contribuição direta, o país serve de termômetro para a América Latina, região em que a Marvel costuma performar acima da média mundial. Segurar o topo aqui ajuda a embalar mercados vizinhos e dá confiança às redes para preservar horários e salas premium por mais tempo.
Para a linha do tempo do MCU, o impacto é claro: o título sustenta o interesse do público antes dos próximos projetos grandes, incluindo os novos filmes dos Vingadores. Em vez de apenas abrir bem, a produção mostra fôlego, que é justamente o que o estúdio precisava para aquecer a base de fãs e manter o ecossistema de lançamentos — cinema, produtos e, mais à frente, janela de streaming.
Do lado prático, o filme também reposiciona a conversa sobre “fadiga de super-heróis”. A discussão não some, mas os números do Brasil indicam que existe apetite quando há proposta, escala e entrega. Se a retenção continuar nas próximas semanas, o circuito deve manter o título em destaque até a chegada do próximo grande concorrente de ação.
Em resumo: bilheteria sólida, liderança mantida, boca a boca funcionando. Para quem olha mercado, é um caso em que a equação entre marca forte, lançamento em data estratégica e produto bem finalizado voltou a fechar. E quando isso acontece, o público aparece — e volta.